quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Exaltação, de Albertina Bertha


Uma pequena indecisão, e Ladice batia, ligeiramente, misteriosamente, quando a porta se abriu de par em par e Teófilo pálido, fremente, a enfrentou. [...] ambos impelidos pela paixão foram um para o outro, abraçaram-se longamente, perdidamente, silenciosamente, como os elementos, as coisas materiais, as montanhas, os rochedos caem uns sobre os outros, a se desfazerem, misturados, rolando, fundidos, confusos, inalienáveis, perdendo a feição primitiva, assumindo uma nova, fazendo-se um só! Ladice rendia-se à violência dessa efusão.

..................................................................................................

- Vem - repetiu Teófilo, tendo na voz, no olhar, a vontade feroz, desesperada de quem implora a graça, a vida.


- Não, não posso - balbuciou ela, fatigada, os olhos fechados, os braços pendendo, os cabelos desfeitos, profundamente abalada pelo soluço da angústia.

- Tu e eu seremos então dois como o céu e a terra? - disse ele, retendo-a, machucando-a.

- O futuro, qu'importa? - Exclamou ela estremecendo. - Gozemos do presente, bebamos esse mel oriental, divino, allucinante que os deuses nos oferecem, até ao ouvido, ao esgotamento, à destruição... Abramos os nossos corações, às farpas ígneas que o Amor despede, vivamos no vestíbulo do presente... O futuro, o futuro... A morte, talvez, quem sabe? - E lágrimas corriam-lhe pela face.

......................................................................................................

A exaltação em Albertina Bertha é a nietzschiana, de aceitação total e entusiástica da vida, simbolizada divinamente por Dionísio, ou seja, vontade orgástica da vida na totalidade da sua potência infinita.

Segundo Nietzsche, "o desinteresse não tem valor nem no céu nem na terra; todos os grandes problemas exigem um grande amor e só espíritos rigorosos, claros e seguros, somente os espíritos sólidos são capazes de tal".




Convite oficial


O livro custará na média de 26/28 reais... ainda não é certo o valor.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

In- ve-jo-so...

Recebi, hoje, do Roger, essa música do novo álbum do Arnaldo Antunes...

muito boa!!! O dvd deve ser melhor ainda! ;)))))





Composição: Arnaldo Antunes e Liminha

O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente

E quando encontra o seu colega de trabalho
Só pensa em quanto deve ser o seu salário
Queria ter a secretária do patrão
Mas sua conta bancária já chegou no chão

Na hora do almoço vai pra lanchonete
Tomar seu copo d'água e comer um croquete
Enquanto imagina aquele restaurante
Aonde os outros devem estar nesse instante

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

Depois você caminha até a academia
Sem automóvel e também sem companhia
Queria ter o corpo um pouco mais sarado
Como aquele rapaz que malha do seu lado

E se envergonha de sua própria namorada
Achando que os amigos vão fazer piada
Queria uma mulher daquelas de revista
Uma aeromoça, uma recepcionista

E quando chega em casa liga a tevê
Vê tanta gente mais feliz do que você
Apaga a luz na cama e antes de dormir
Fica pensando o que fazer pra conseguir

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

domingo, 1 de novembro de 2009

55 Feira do Livro de Porto Alegre

Autógrafos na Feira do Livro!!!!

Machado plural é uma reunião de artigos sobre as diversas facetas do escritor Machado de Assis, organizado pela profa. Ana Mello. Entre os autores, estão: Juliana Santos, Adriana Machado, Adriana Carina, Alessandro Castro, Atílio Bergamini, Sheila Staudt, Vanderlei Vicente, Felipe Ewald, Fernando Brum... e euuuuuuuzinha! :) :) :)


O livro ficará à venda no site. Durante a Feira, estará disponvivel na barraca de autógrafos da Câmara do Livro e na barraca da Livraria Mosaico.


12/11/2009

Local: Memorial Térreo -20h
Machado plural
Escritor: Ana Maria Lisboa de Mello, org.
Editora: Armazém Digital

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sou filha - ORGULHOSA - da PUCRS!!!

Bom, estou numa fase muito positiva da minha vida e acho interessante valorizar as coisas boas que - também - acontecem.

Nós criticamos muito as instituições acadêmicas, o que acho positivo e construtivo... mas, desde que entrei na PUCRS (entrei há dois anos, no Mestrado em Teoria da Literatura, sendo que me formei em Letras na UFRGS, e fiz Especialização na UFRGS tbém) eu venho vivenciando muitos pontos positivos que a PUCRS me proporciona. São inúmeros eventos - locais, nacionais e internacionais -, a infraestrutura que a Universidade possui dá suporte aos pesquisadores, a Biblioteca é uma loucura, o funcionamento interno é organizado (e funciona!!!), os prazos são cumpridos, as bolsas são distribuídas em grande número entre os alunos, as secretárias são EXTRAORDINÁRIAS - nota mil, o espaço físico destinado aos bolsistas - gabinetes, impressoras, acesso à internet, etc etc etc.

Por isso, venho compartilhar, com muita satisfação, que a PUC foi eleita a Melhor Universidade Privada do Ano!!!! A USP, como não poderia deixar de ser, venceu entre as públicas. :) :) :)

O prêmio é uma iniciativa do Guia do Estudante e Banco Real – Grupo Santander, disputado entre instituições de ensino superior públicas e privadas. Trata-se de um importante reconhecimento à qualidade de nossas ações e iniciativas, sempre comprometidas com a formação humana e profissional.

:)

Parabéns a todos nós, que fazemos parte dessa conquista!!!



terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sobre seleções...

Hoje uma pessoa me perguntou se eu estava preparada para a concorrência.
Até achei engraçado, pois sempre pensei que deveríamos nos preparar para o processo seletivo, e não para os concorrentes... mas enfim... nesse mundo acadêmico, muitas coisas "estranhas" acontecem... vai saber!




sábado, 24 de outubro de 2009

Jornadas A poesia Modernista, 70 anos de Viagem, de Cecília Meireles

Está quase chegando!!!

Jornadas A Poesia Modernista, 70 anos de Viagem, de Cecília Meireles.

Quando? 12 e 13 de novembro (quinta e sexta)
Quanto? 1 lata de leite em pó (confirmar, não tenho certeza)
Hora? dia 12 das 9h às 17:30, dia 13 das 10h às 17:30
Onde? PUCRS - Auditório Irmão Elvo Clemente, sala 305 do prédio 8 de Letras
Inscrições no PPGL - PUCRS


Dia 12

9:00 Abertura

Ana Maria Domingues de Oliveira (UNB)
Lina Tâmega Peixoto (UNB)
Sandra Vivacqua von Tiesenhausen (UNB)

Coord.: Ricardo Barberena

14:00 Mesa-redonda

Adriana Machado (Henriqueta Lisboa)
Luís F. Marozo (Manuel Bandeira)
Vinícius Carneiro (Luís Aranha)

16:00 Mesa-redonda

Leonardo P. de Oliveira (Cecília Meireles)
Marcelo Nogueira (Vinicius de Moraes)
Maurício Krebs (Murilo Mendes)

Coord.: Anna Faedrich Martins :))))


Dia 13

10:00 Mesa-redonda

Diego Petrarca (João C. M. Neto)
Marcela Wanglon (Augusto Meyer)
Mires Bender (Mario Faustino)

Coord.: Paloma Laitano

14:00 Mesa-redonda

Ângela Silva (M. Quintana)
Anna Faedrich Martins (M. Quintana)
Juliana Santos (Augusto F. Schmidt)
Maria do Socorro de Assis Monteiro (Ferrera Gullar)

Coord.: Adriana Machado

16:00 Encerramento

Maria do Carmo Campos (UFRGS)
Karin L. Hagemann Backes
Ana Mello

Coord.: Maria do Socorro de Assis Monteiro


Comissão organizadora:

Ana Mello
Adriana Machado
Anninha
Socorro
Palomex

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Olha o goooooooooooolpe!!

Ontem recebi uma mensagem no celular:

"SBT 28 anos do Domingo Legal. Celso Portiolli inf. seu aparelho foi premiado com um CROSS FOX e para mais inf. ligue grátis de seu fixo para 0318592182525".

Como eu não assisto o SBT, não gosto desse programa e nem desse apresentador, logo imaginei: golpe. Pois, por esses motivos, eu tinha certeza de que NUNCA tinha me inscrito em promoção alguma.

Mas fiquei pensando em outras pessoas, da minha família mesmo, que assistem, ligam, mandam cartas com códigos de barras e etc. Se fosse uma dessas, certamente cairia. São milhares de golpes, aplicados diariamente, e nós temos que estar muito equilibrados para não cair nessa ilusão.

Sobre o golpe tem uma reportagem no jornal O Globo, disponibilizo aqui. Assim, vocês ficam sabendo o que acontece com quem retorna essa ligação, coisa que eu não fiz ;)



ps: Putz! Nem as mensagens no meu celular são seguras... será que alguma outra foi golpe também?

rs




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Meu amor por cachorros

Coleção de fotos com cachorros, daqui a pouco vou entrar pro Guiness aushauhsuahsuahushaua

Bunny, foto atualíssima: 11/10/2009. Reparem qu
e ela está à moda indiana rsrs
Essa é minha!!!!!




A próxima é a Bela, no meu colo, cachorrinha da minha aluna Maria Vitória.
Ela passou a aula inteirinha nesse grude... (cachorro sabe o que é bom, né? hehehehe)




Mais um cachorrinho estudando inglês (detalhe no meu resumo ;)
Esse é o Bento, cachorrinho (que não é mais inho) da Julinha, minha aluna.


Esse é o Flufy, cachorrinho da Lu, minha aluna também. Coloquei meu casaco em cima da cama dela e não deu outra, ele foi lá deitar e dormir em cima do casaco a aula inteira... ;)





Ninfa, cachorrinha do Celso, em Cidreira & Cocker chileno, em Viña del Mar



Zeca, o meu querido carioca: labrador da Gabi (minha prima do Rio) e do Rodrigo - ah, agora do Felipe também :)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Professor, teacher, professeur, magister

Parabéns a todos professores!!!

Hoje é um dia muito especial!!

Parabéns aos que levam a profissão a sério... e que, apesar de todos percalços, a cumprem com paixão!!!!


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Altair Martins e seus manuscritos

Altair e seus manuscritos:


Foto retirada no Grupo, 13/10/2009


Josy*: crítica genética de A parede no escuro (Altair Martins)


Foto inédita





Crédito das fotos: Anna Faedrich Martins ;)))

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Amiga Josy*

Geeeente,
minha amiga Joseane Camargo (Josy*) estará na próxima Feira do Livro de Porto Alegre PALESTRANDO junto com o Altair Martins, sobre o romance A parede no escuro (2008).

Demais!!!!

A Josy* tem estudado o processo de criação literária do escritor Altair Martins, em especial este romance. Ela tem acesso aos manuscritos do autor, e fica feito doida lendo tudo aquilo, fotografando, comparando as diferentes versões, analisando os rabiscos que ele fez durante esse processo de criação, o que ele trocou, o que ele apagou, o que ele acrescentou... e, após toda essa investigação, ela chegará a uma conclusão, bem linda, ela vai explicar as razões que levaram o autor a tais escolhas, etc etc etc.

Lindo! Lindo! Lindo!

Assim que eu tiver a data, hora, local... publicarei aqui!

Muito chique, benhê!!!!


Feira do livro: que vontade de você!!!!!!!


domingo, 4 de outubro de 2009

Baixaria na Academia II

Dedico esse espaço ao comentário que recebi no outro post "Baixaria na Academia". É a manifestação da professora Adiane acusada de ter cometido plágio. Agradeço muito à pessoa que escreveu pra mim ;)

Bom, eu só estou divulgando um acontecimento na área. Desde o início, não me coloquei em posição de julgamento [sempre tento, pelo menos. Principalmente, por estar totalmente de fora. Não conheço nenhum dos professores, só tenho informações que estão amplamente divulgadas na mídia] e, bem pelo contrário, chamei a atenção para a situação delicada em que se encontrava essa professora, que ainda não tinha se defendido publicamente.

Que bom, agora temos uma primeira resposta ao ocorrido:

Caxias do Sul, 04 de outubro de 2009.

Assunto: Controvérsias sobre o ensaio “O lugar da Infância na poesia de Mario Quintana”, publicado na obra “Na esquina do tempo: 100 anos com Mario Quintana”.

Prezado(a) Senhor(a)

Como autora do ensaio “O lugar da infância na poesia de Mario Quintana”, tenho a lamentar as citações efetuadas pelo digníssimo Prof. Sergio de Castro Pinto, divulgadas via internet, envolvendo a Universidade de Caxias do Sul, no episódio em que compara meu texto com passagens do livro de sua autoria, intitulado “Longe daqui, aqui mesmo – a poética de Mario Quintana”.
Afasto publicamente qualquer responsabilidade da Editora da Universidade de Caxias do Sul, bem como dos organizadores da obra publicada.
Compreendendo o desconforto vivenciado pelos envolvidos no trabalho editado, expresso minhas desculpas e a determinação em sanar eventuais falhas, buscando no menor tempo possível esclarecer todas as ocorrências apontadas.

Atenciosamente,

Adiane F. Marinello

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quebra do sigilo do ENEM

Mais de 4 mlhões de estudantes que fariam a prova do Enem no fim de semana ficarão à espera da remarcação do exame. Motivo: fraude. Vazamento. Quebra do sigilo.

O jornal "O Estado de S. Paulo" denunciou que a prova teria vazado. Um homem teria procurado o jornal, dizendo ter as duas provas (sábado, dia 3, e domingo, dia 4) e querendo vendê-las por 500 mil reais.

No Brasil, novidade nenhuma. Não me impressiona mais esse tipo de coisa. Lamento a palhaçada que estamos vivendo: palhaçada na educação, palhaçada na política, palhaçada nojenta, sem graça alguma.

Sou contra o Enem.

O vestibular da Ufrgs, querendo ou não, mantém um nível, uma seleção, uma avaliação [praticamente, e não totalmente] objetiva e transparente.

Ok, tá certo que entrar para Universidade virou um investimento no mercado: cursinhos preparatórios cada vez mais caros e específicos.

Mas já dei aula em cursinho, e os professores lá são bons. São criativos. Precisam liberar estímulo para os alunos. E o fazem. Precisam recuperar anos de ensino falho.

Aliás, muita gente foi gostar de literatura nas aulas de cursinho. Bom sinal, não?
Cursinhos pré-vestibular formam leitores! Ô maravilha.

E empregam um bocado de professores.

Assim como a correção das redações do vestibular me garantem um verão mai$ tranquilo e feliz :)

Abaixo o Enem [como avaliação para entrada na Universidade], essa palhaçada não pode continuar.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Bailarina


A bailarina


Cecília Meireles


Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.


Não conhece nem dó nem ré

mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá

Mas inclina o corpo para cá e para lá.


Não conhece nem lá nem si,

mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar

e não fica tonta nem sai do lugar.


Põe no cabelo uma estrela e um véu

e diz que caiu do céu.


Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.


Mas depois esquece todas as danças,

e também quer dormir como as outras crianças.


Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.

domingo, 27 de setembro de 2009

Satolep, de Vitor Ramil


Em busca de algo perdido, sem saber ao certo o que é. Em busca de si mesmo, o fotógrafo Selbor, volta à cidade natal, a úmida Satolep (anagrama da palavra Pelotas), vinte anos após sua partida. Comemora seu aniversário de 30 anos sozinho, no espaço reencontrado, apagando velas imaginárias.

Selbor é o protagonista e também o narrador da história. Ao chegar na cidade, ele encontra personagens reais da história pelotense: o autor de
Lendas do Sul e Contos Gauchescos João Simões (Lopes Neto); o poeta e jornalista Lobo da Costa; e o cineasta Francisco Santos.

O enredo fantástico do romance começa a partir do primeiro trabalho de Selbor como fotógrafo em Satolep: fotografar uma família, de modo que aparecesse a casa toda, a fim de registrar o momento em que o filho mais velho partia. Depois de fotografá-los, Selbor acompanha o Rapaz até a estação de trem, aproveitando a carona do motorista. Chegando na estação, ele perde o Rapaz de vista, até que o encontra sentado num banco. Ao embarcar no trem, o Rapaz esquece uma pasta e suas luvas. Selbor tenta devolvê-los, mas o esforço é em vão.
Estando com a posse da pasta, Selbor descobre que nela há textos com descrições visionárias, que predizem as fotografias que ele tira ao longo da história a fim de formar o "grande círculo" de sua vida:

"Ao rever aquela fotografia, há tanto tempo guardada, e observar a reação de deslumbramento dos meus amigos, pensei que o 'grande círculo' seria a documentação de um tipo de espelhismo, pois suas fotos eram o registro do que já fora visto por outro em outra parte, conforme os textos demonstravam. Era também algo deslumbrante" (p.219)

"Eu podia dizer logo a ela tudo o que sabia sobre o 'grande círculo' ou então adiar minhas explicações para quando ele estivesse concluído. Achei que naquele contexto traumático seria impossível fazê-la acreditar nas evidências que eu vinha colecionando a respeito do 'grande círculo'. Eu lhe pareceria definitivamente louco ou mentiroso. Quanto a adiar as explicações, a atitude mais suspeita e desprezível, mas, considerando minha expectativa de que o 'grande círculo' reservava para o final alguma revelação que me permitiria compreendê-lo e explicá-lo com clareza, talvez fosse também a titude mais fácil de ser revertida" (p.272)


O livro é composto de páginas pretas, em que estão as descrições visionárias do Rapaz, e páginas brancas, em que o narrador relata a sua história, ele tenta recuperar através da memória o passado vivido na cidade de Satolep, em busca de autocompreensão através, também, do exercício da fotografia. Cada fotografia completa um círculo, que o faria "nascer", uma vez que "nascer leva tempo".

O romance de Vitor Ramil é introspectivo, e a linguagem é de um lirismo predominante.
O livro é composto de imagens da cidade de Pelotas, fotografias lindas, que foram publicadas originalmente em 1922, organizadas por Clodomiro Carriconde, no livro Álbum de Pelotas.

Como podem ver, o domigno rendeu! ;))


Domingo perfeito


Chuva: literatura e pijama.


sábado, 26 de setembro de 2009

Pra quem gosta de bikes

Divulgo o site da Ju, minha prof. de natação, e do Rafa, namorado dela.
Tem umas mochilas e bolsas liiiiiiiiiiiiindas, da Dakine.

Aí vai a dica:

http://lojadabike.lojapronta.net/

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Jules et Jim



"Jules e Jim é um sonho. Todos nós sofremos diante do aspecto provisório de nossos amores e esse filme nos leva justamente a sonhar com amores definitivos".

François Truffaut (1975)



Um clássico. Uma obra-prima. Isso todo mundo sabe.

Pra mim, um presentão que eu ganhei :)
que gostei muito
e que me fez refletir sobre o provisório.

Que filme bom!


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

José ou Luís

Bem-me-quer
mal-me-quer
será o Luís?
Será o José?

Bem-me-quer
(Talvez José)
Mal-me-quer
(Talvez Luís)

Mal-me-quis,
bem-me-quis
Foi o José?
Foi o Luís?

Quem me diz
que me quer
Seja o José
seja o Luís
é certo que será meu bem
pelos séculos dos séculos
amém.


Sérgio Capareli


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Revista Nau Literária (UFRGS)

Está aberta a nova chamada para artigos da Revista eletrônica Nau Literária, daUFRGS.

O dossie é: O romance português e o mundo contemporâneo

O gênero romanesco apreende, através da transfiguração da realidade pela palavra, a marcha da sociedade e suas problemáticas múltiplas, bem como as contradições cada vez mais flagrantes desse tempo que vivemos.

A grande produção de ficção na literatura portuguesa desde os anos 80 enquadra-se no panorama de uma pós-modernidade plena de questões a serem resolvidas, senão, pelo menos refletidas. O que constituiu sempre uma marca da literatura portuguesa no seu falar, implícita ou explicitamente, sobre Portugal como resultado de um nacionalismo exacerbado, hoje se apresenta como discurso marcado pela simultaneidade de imaginários frente a realidades contraditórias.

Romances que se voltam para a história mais ou menos recente da nação portuguesa dão conta da nostalgia de um tempo que se foi ou está a caminho da extinção, ao mesmo tempo que representam um olhar crítico sobre a realidade da qual o país não consegue escapar por se tratar de um processo irreversível.

O Portugal das duas ou três ultimas décadas encontra-se metaforicamente representado nesses dois pólos pela ficção desde então produzida até esse início do século XXI. Produzir ensaios críticos que dêem conta da complexidade da produção romanesca portuguesa contemporânea é o desafio do presente número da Revista Nau Literária, que tem se dedicado a tratar de temas e obras relevantes das culturas e literaturas de língua portuguesa.

Data final para envio de artigos: 30 de outubro de 2009


Profa. Dra. Elizabete Carvalho Peiruque
Organizadora do Dossiê


Lembrando que a Nau Literária aceita, também, artigos para a seção livre.

:)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Música para sexta-feira...

Super Rita Lee... ultimamente ela tem sido minha trilha sonora...



Composição: Rita Lee/Roberto de Carvalho

Me cansei de lero-lero
Dá licença
Mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar
Opiniões...


De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha
Eu sei que agora
Eu vou é cuidar
Mais de mim!
Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh!...


Como vai? Tudo bem!
Apesar, contudo
Todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer
Do coração...


É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!...


Como vai? Tudo bem!
Apesar, contudo
Todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Não!
Se por acaso morrer
Do coração...


É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!...

Baixaria na Academia

O professor Sérgio de Castro Pinto afirma que teve partes do seu texto (tese de doutorado publicada) severamente copiadas, pela professora da UCS (Adiani Fogali Marinello), e escreveu um texto-denúncia, que já está circulando pelos emails dos profissionais de letras, e eu reproduzo aqui.

Acho delicada essa questão do plágio nos dias de hoje, onde existe teorias de que nada mais é "nosso", nada é original, tudo já foi criado, e a gente devora e transforma em algo - que não é novo. Também é delicada a situação em relação aos textos sobre literatura, em que vários profissionais da área escrevem sobre o mesmo assunto...

Mas, nesse caso específico, o professor Sérgio parece comprovar que a professora agiu de má fé, cometendo o famoso "plágio", crime acadêmico.

Eu também estudei Mario Quintana... nem sabia da existência desse professor (Sérgio), nem de seu trabalho... bom, pelo menos agora ele também "lucra" com essa história toda, ganhando visibilidade.

E eu fico com pena dessa professora, que ainda nem se defendeu publicamente... Claro, de repente, se fosse o meu texto, eu ficaria irada. Mas como estou de fora, fico imaginando como ela não deve estar agora =/



UMA CÓPIA GROSSEIRA

Sérgio de Castro Pinto*

Na esteira do amigo José Nêumanne Pinto, vou direto ao assunto: a Professora Adiane Fogali Marinello, da Universidade de Caxias do Sul (RGS), em um ensaio de treze páginas – “O Lugar da infância na poesia de Mario Quintana” –, publicado no livro “Na Esquina do Tempo - 100 anos com Mario Quintana” (Editora da Universidade de Caxias do Sul, RGS, 2006), copiou trechos inteiros do meu livro “Longe daqui, aqui mesmo – a poética de Mario Quintana” (Editora Unisinos, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, 2000), originariamente tese de doutorado defendida no Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba.
O citado volume foi organizado pelos Professores João Cláudio Arendt e Cinara Ferreira Pavani, ambos integrantes do corpo docente daquela instituição gaúcha.

Vamos, porém, ao que interessa: demonstrar que trechos do meu livro e do ensaio da Professora Adiane Fogali Marinello, são, sem tirar nem pôr, rigorosamente os mesmos. Eis o que eu escrevo na página 13: “(...) um poeta cujo ecletismo funde e inter-relaciona a tradição com a renovação”. Vejamos, agora, o que a referida professora escreve na página 101, do livro “Na Esquina do Tempo – Cem anos com Mario Quintana”: “(...) trata-se de um poeta cujo ecletismo funde e inter-relaciona a tradição com a renovação”. E o que eu escrevo na página 18 : “(...) cujas inovações não encobriam de todo os traços neo-simbolistas que impregnavam a maioria deles”, com o que ela escreve na mesma página 101: “(...) mas as inovações nela apresentadas não encobrem de todo os traços n eo-simbolistas que as impregnam”. E tem mais, muito mais. Senão, observemos um trecho do meu ensaio: “Uma vez que estreou em 1940, cronologicamente poderia ser considerado um integrante da chamada Geração de 45. Mas não o foi no essencial, ou seja: na linguagem” (página 19). E o que ela escreve como sendo de sua autoria, na página 102: “Por outro lado, uma vez que estreou em 1940, cronologicamente poderia ser considerado um integrante da chamada Geração de 45. Contudo, não o foi no essencial: na linguagem de matiz coloquial a par de uma temática regida pelo cotidiano, que se aproxima muito mais do Movimento de 22”. O arremate desse período, ela o copiou, de forma literal, de um trecho da página 22 do meu livro: “(...) o poeta incorporou do modernismo uma linguagem de matiz coloquial a par de uma temática regida pelo cotidiano”. Tem mais. Página 19, do meu livro: “(...) o quanto se torna difícil situar e avaliar a obra de Quintana no contexto da lírica nacional”. Página 102, do livro “Na Esquina do Tempo – 100 anos com Mario Quintana”: “Apesar de ser difícil situar e avaliar a obra do poeta no contexto da lírica nacional...” Já na página 76, eu escrevo: “Quer dizer: se o ‘hábitat’ natural dos sapatos é o chão, quem os colocou ‘próximos’ ao Céu não o fez movido por nenhuma predisposição nefelibata, mas pelo desejo de minorar, nem que fosse ilusoriamente, as agruras da vida terrena. Daí os sapatos do Soneto XV cumprirem uma função metonímica e possuírem atributos humanos, além de emprestarem uma contextura concreta ao mundo subjetivo do sujeito emissor”. Trecho copiado pela professora, com ligeiras modificações, na página 103: “Como o local em que, normalmente, os sapatos ficam é o chão, supõe-se que eles tenham sido colocados próximos ao céu com o objetivo de minorar as amarguras e dissabores da vida terrena. Ao adquirirem atributos humanos, esses objetos emprest am uma contextura concreta ao mundo subjetivo do emissor, cumprindo uma função metonímica”. Por último, página 76, do livro “Longe daqui, aqui mesmo – a poética de Mario Quintana”, de minha autoria: “Tanto que costumam distinguir e enfatizar na sua obra os recursos parnaso-simbolistas em detrimento de alguns preceitos da poesia moderna que a permeiam, dentre eles a materialização dos sentimentos a partir dos atos e das coisas banais do cotidiano”. Página 105, do livro “Na Esquina do Tempo – Cem Anos com Mario Quintana”: “Pode-se afirmar, consequentemente, que a materialização dos sentimentos a partir dos atos e das coisas banais do cotidiano aproxima Quintana da vida moderna”.

A minha reação, num primeiro instante, foi relevar a atitude da Professora Adiani Fogali Marinello. Posteriormente – e já mesmo por conta do clima de impunidade que grassa em todo o país –, resolvi tomar algumas providências. Uma delas, a de denunciá-la através deste artigo que, enviado para editoras, universidades, professores, etc., talvez a iniba de, novamente, usurpar o patrimônio intelectual alheio.


* Sérgio de Castro Pinto é poeta, ensaísta, jornalista profissional e professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal de Paraíba.



p.s.: se publiquei esse texto no blog é porque solidarizo com a indignação do professor Sérgio. Só ressaltei que sim, penso nessa professora e no seu provável arrependimento, que por uma besteira [ato leviano], comprometeu toda a sua carreira, que não deve ter sido fácil de construir. Só isso.

p.s.2: a história, pelo jeito, não parece ser tão simples e transparente assim, conforme o comentário que foi postado aqui com a manifestação da professora acusada.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cartas para além do tempo

Carta à Cecília Meireles (de Fernanda Castro)

O Fernando, teu marido, vinha ainda doente, taciturno, pessimista, inadaptado. Tu fazias de conta que não percebias e falavas com ele como se tudo corresse às mil maravilhas, consultando-o para tudo, não aceitando meus convites, sempre disposta a suportar pacientemente as suas teimosias e as suas caturrices. Logo no primeiro dia, disseste-me:

- "A minha cruz é pesada mas tenho de aguentar porque ninguém tem culpa de estar doente e ele está muito doente".

Lembro-me de que um dia fomos convidados para uma festa em casa da Elisa de Sousa Pedroso. Ele disse que sim, que aceitava o convite, depois disse que não, depois disse outra vez que sim e tu, Cecília, vestiste e despiste três vezes o teu vestido de noite. Acabaste por não ir.

No dia seguinte, com lágrimas nos olhos, disseste baixinho - "É assim, Fernanda, é assim há dois anos".

[...]

Outras vezes confessavas: "Há dias em que chego a casa tão cansada de mim e dos outros, sobretudo de mim, que me atiro desesperada para cima do meu sofá azul, a coisa mais bonita que tenho em casa."

A respeito do Fernando falavas pouco mas, de vez em quando, numa ou noutra frase, eu ouvia a tua queixa silenciosa, a tua dor secreta. Com o tempo, Cecília, acabei por compreender o mal do teu marido. Por razões incompreensíveis que têm a ver com o fado, o destino, a sorte, o Fernando não conseguiu no Rio o trabalho regular necessário para manter a casa, pagar os colégios, aliviar-te a ti, que mal podias ler, escrever, quanto mais pensar na tua Poesia. E isto te atormentava a ti atormentava-o mais a ele. O Fernando tinha, como pintor e sobretudo desenhador, bastante talento mas, devido talvez ao seu feitio tristonho e cismático não conseguia abrir o seu caminho, o caminho a que tinha direito, por razões facilmente compreensíveis: isolava-se, fugindo dos cafés, das exposições, das redações dos jornais, de todos os lugares enfim onde se arranjam amigos e clientes. Sentia-se frustado e cada dia se tornava mais amargo e, por vezes, sarcástico, o que não melhorava a situação.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vidas Secas

Amanhã é dia de Relendo Vidas Secas...



Slide 39
Carta de Graciliano Ramos a Heloísa Ramos, em maio de 1937:

Escrevi um conto sobre a morte duma cachorra, um troço difícil, como você vê: procurei adivinhar o que se passa na alma duma cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não me importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejamos. A diferença é que eu quero que eles apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende que eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos como a minha baleia e esperamos preás.

Cartas. Rio de Janeiro, 1981; p.194.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cabrochinha

No Congresso Internacional A Presença Francesa no Modernismo Brasileiro tivemos uma palestra (muito boa!) com a professora Maria Zilda Cury (UFMG).

Antes de começar a falar sobre o seu assunto (ela entrevistou Drummond!!!!), ela colocou uma música para dar início ao tema do congresso todo, as relações Brasil-França. A música é Cabrochinha, de Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro.





Ô cabrochinha venha ver quem chegou
Chegou num bico de sapato, o seu mulato frozô
Bote um vestido curto, aquele justo lilás
Que tem um corte do lado e um decote atrás

Dei sorte na loteca, uma merreca pintou
Repara só na beca que o teu nego comprou
Vou te levar pra jantar, cabrochinha, dessa vez
Num restaurante francês

Mas s'il vous plait, ô monsieur garçon
Leva o menu que eu não entendo lhufas
Eu vou pedir esse Don Perignon
Um scargot e um filet com trufas

Depois daquela sobremesa que flamba
A gente volta pro samba
A gente encerra o glamour

No fim da noite um bangalô, penhoir e um abajour
Pra gente fazer l'amour
(l'amour toujour)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Congresso Internacional A Presença Francesa no Modernismo Brasileiro



O nosso super congresso começa amanhã!!

Quem quiser se inscrever como ouvinte, ainda há tempo (é só ir na PROEX, prédio 40, sala 201).

Às 17:30, teremos a conferência de abertura com a professora Jacqueline Penjon (Sorbonne Nouvelle- Paris III).

Quarta-feira, na sessão de comunicação das 8:30 às 10:00, eu vou apresentar A Presença Francesa na Lírica de Mario Quintana.

Vou falar, principalmente, da cidade como temática do fazer poético de Quintana. Ele registra, na sua obra, as mudanças da cidade de Porto Alegre à medida que vão ocorrendo e mostra a tendência do poeta de ser uma testemunha, como um flâneur, de modernização, que traz consigo inquietude e solidão.

Entretando, não poderíamos falar de Mario Quintana e sua "pequena cidade grande", Porto Alegre, sem passar pelo estudo de Baudelaire, o primeiro a poetizar a cidade. Walter Benjamin, em seus estudos sobre a Paris do século XIX e Baudelaire, mostra o poeta como o precursor em tornar a Paris objeto de sua poesia.

Também vou trazer as considerações de James Hillman, psicólogo [junguiano] americano, que observa a vida do novo homem - homem moderno. Essa vida acabou com a flânerie, pois o homem moderno não caminha mais pela cidade, não repara mais nos prédios, no que existe ao seu redor: "a locomoção tornou-se mecanizada, desde os dispositivos de controle remoto até, claro, os automóveis" o que torna cada vez mais desnecessário o caminhar na nossa rotina.

As ruas servem apenas de acesso aos shoppings, arranha-céus e outros lugares. Andamos pelas ruas e mal sabemos por onde passamos, diante de que casa passamos, ou mesmo por quais pessoas nós passamos. Há uma multidão ao nosso redor, porém nós não enxergamos, é o vazio, o vazio da modernidade...

Coisas do tempo

com o tempo, não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros.

(Mario Quintana)


sábado, 5 de setembro de 2009

"Eu sou feliz"

Essa é uma música em homenagem a um amigo e a uma discussão sobre a felicidade.

Continuo concordando com o meu psicólogo sobre a importância de não "intelectualizar" as coisas, e sim senti-las, vivê-las. Começo a achar também que existem pessoas que nascem "pré-dispostas" à felicidade, outras à melancolia, e assim por diante. Ou então, se Freud diz que a felicidade é fruto de pequenos prazeres, existem pessoas com mais facilidade em sentir prazer em coisas, que, de repente, para outras pessoas não despertariam o mesmo prazer. Bom, uma coisa é certa, nós vivemos momentos de felicidade. Nada é 100%, nem um mar de rosas... Mas também, se não existissem a dificuldade e os obstáculos, não existiria a sensação de prazer ao vencê-los. O que me leva a pensar que a melancolia e a sensação de infelicidade pode estar relacionada à falta de obstáculos na vida de uma pessoa, assim ela, além de não ter aquele ânimo para superá-los, não tem o prazer que vem à posteriori.

Também acho que aquele
que busca muito, não encontra, pois volta as energias para uma busca utópica, idealizada, que nunca se realizará, pois chega um momento em que a pessoa nem sabe mais o que está buscando.

Enfim, viva a loucura da felicidade! Loucura porque, segundo Freud (informação que recebi), a nossa sociedade não é uma sociedade para pessoas felizes.


Balada do louco

Composição: Arnaldo Baptista / Rita Lee

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão


Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu


Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor

Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu


Sim sou muito louco, não vou me curar

Já não sou o único que encontrou a paz


Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz







p.s.: A Zélia Duncan não convence muito nessa música, não sei se é porque acho essa "loucura" a cara da Rita Lee ;)

p.s.2: Alain Delon (França, 1935). Eu prefiro a versão "madura" rsrsrsrs

Autores sem obra

"Como raramente os entrevistadores leem os livros dos entrevistados, por excesso de trabalho e de autores, a obra se transforma num fator de constrangimento. Mais uma razão para se preferir autores sem obra" (Juremir Machado, Correio do Povo).


A Josy* me mandou uma crônica do Juremir (Collor, o imortal), brincando que ele teria lido meu blog, pois escrevi num post anterior sobre a entrevista que o Ostermann fez com o Altair Martins... achei interessante a crônica, principalmente essa partezinha, e resolvi acrescentar aqui.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Filosofia e Literatura II

Segunda-feira, dia 31, foi dia de "Hermenêutica e Literatura", com o professor Dr. Draiton Gonzaga (Faculdade de Filosofia/PUCRS)


Bom...


Hermenêutica significa interpretar, explicar, traduzir.

Hermes era o deus grego mensageiro, entre os deuses e os homens existia Hermes, a mediação.


Lógos: estudo, conhecimento, palavra, verbo.


Lógos (grego) - palavra / pensamento / realidade.


caos -------- cosmos

desordem ------- ordem } logos = princípio ordenador


Detalhe importante para as mulheres: cosmésticos vem de cosmos - belo, ordenado!!!!


Bom, tem muito mais coisas... mas tô cansada agora, outro dia eu postarei com calma ;)


Próximo encontro: 28/09 A razão em pane: de Hegel a Kafka

Prof. Dr. Eduardo Luft (Faculdade de Filosofia/PUCRS)

domingo, 30 de agosto de 2009

Domingo na dinda!

Investindo na saúde...





De olho nos talentos...

Muita tinta, muita cor, muita arte!

Liberando a imaginação...








E, depois da bagunça, um bom banho!!!! :)


sábado, 29 de agosto de 2009

A pedidos...






p.s.: eu não sei editar filmes, então coloquei na opção "automático", o que deixou um pouco estranho... rsrsrs o youtube suporta vídeos até 10 minutos... e esse extrapolou o limite... por isso a "edição".

Dica pro chimarrão

Uma vez tomei chimarrão com a Carol e o Marçal, e senti um gostinho diferente.

Essa é a origem da dica:
coloque na água quente da garrafa térmica GENGIBRE!

Fica muito booooooooooom! :)

Entrevista com Altair Martins

Quinta-feira, dia 27/08, foi dia de "Entrevista com Altair Martins", no Studio Clio.

A Paloma vai ter que me desculpar... pois "matei" o Duplo, não deu tempo de conciliar os dois eventos... ;)

E como fiquei muito feliz com o convite e, também, estava empolgada por estar numa entrevista sobre um livro que eu li... não pude perder essa!

Infelizmente, é isso o que acontece: as pessoas vão às entrevistas e palestras com autor sem ter lido a obra. Não julgo isso, pois muito o fiz [principalmente nas Feiras do Livro de Porto Alegre, afinal, é uma grande oportunidade para conhecer o autor e depois comprar o livro].

But...
isso é ruim porque o foco da entrevista vira outro: fofocas literárias. Também não estou dizendo que isso é de todo ruim...

Gostei de saber que o Altair tem dois filhos, que gosta de ser pai, que é um bom cozinheiro, que faz o melhor brócolis do mundo [depois a Márcia - do Altair - me disse que ele faz muitas coisas gostosas], que é professor desde os 19 anos [me identifiquei com essa parte, foi muito legal, ele falava que era mais novo que os alunos e que em 45 minutos deu toda a matéria de português.. rsrsrs eu também entrei em aula aos 19 anos, para dar aula de literatura numa turma de 70 alunos pré-vestibulandos e, quando entrei na sala, pensei 10X antes de dar meia volta e ir embora], que ele gosta de dar aulas, que ele é contra o Enem, que ele escreve a mão, que ele já está com um livro inédito de contos pronto, etc.


O meu ponto crítico é: no mínimo, o entrevistador, mediador do debate, deve ter lido o livro. O público é o público, imprevisto e heterogêneo. Mas o entrevistador(!!!). Por essas e outras que eu admiro a Tânia Carvalho, na TVCOM. Sempre que ela entrevista alguém com livro recém-lançado, ela 1) está com o livro na MÃO, 2) lê o livro antes e, quando não consegue ler, ela admite que não leu, mas que pelo menos começou a ler ou estudou sobre [o que é raro], 3) fala sobre o livro, sobre a escrita do livro.

Por exemplo, por que a importância do livro na mão? Nessa entrevista, o Altair falou da capa do livro, quem fez, como fez, que ideias o próprio Altair teve para a capa, como ele queria... e quando disse que a capa saiu do jeitinho que ele tinha imaginado, as jornalistas que estavam do meu lado [e que não tinha lido o livro, ou sequer visto a capa] ficaram curiosas. Daí eu mostrei o meu livro... coisa que o entrevistador deveria fazer. No mínimo.

Então, o que eu penso sobre o que aconteceu quinta-feira:

o entrevistador deveria dar mais espaço ao público que leu a obra e queria perguntar!! Pelo menos, a Josy e eu. Bom, a Josy ainda tem contato direto com o Altair, por causa da Monografia. Mas eu queria aproveitar aquele momento para fazer isso, ora bolas!

Daí, quando chegou a nossa vez de fazer perguntas, o entrevistador já estava impaciente, controlando o horário... um absurdo!

Também acho que não foi só isso, é que muitas perguntas iniciais seguiram o padrão das perguntas do entrevistador. Por isso não culpo a plateia por suas perguntas, pois estavam de acordo com a proposta do responsável pelo debate.

Mas eu gostei. Muito. (Por causa do Altair. E da Márcia Ivana que estava lá com a gente e que é muito divertida, ótima companhia)

Tá, não só por eles, mas pelo debate sobre a educação, que me interessa e muito. Gostei de saber do jogo de cintura que o autor tem com seus alunos, e de outra coisa que eu também sempre penso quando entro em aula e que o Altair ressaltou bastante: o desafio. O jovem precisa ser desafiado. Ele não quer conteúdo, conteúdo ele acha na internet. Ele quer algo diferenciado e desafiador.

Quando a palavra foi dada ao público, a primeira pergunta sobre A parede no escuro foi a pergunta da Josy*: sobre o léxico que o Altair criou para cada personagem, que faz com que o leitor identifique muito bem quem está narrando, em meio a pluralidade de narradores.

Depois eu fiz um gancho com essa pergunta, lembrando da Crônica da Casa Assassinada, de Lucio Cardoso, um dos livros da literatura brasileira que eu mais gosto. Nessa obra, uma grande crítica que é feita, refere-se à falta dessa diferenciação entre os narradores. No romance de Lucio Cardoso também temos a visão do caleidoscópio, vários narradores, porém não há uma diferenciação lexical. Sabemos quem está narrando porque está tudo muito bem separadinho e entitulado.

A parede no escuro... os discursos são mesclados... e muito bem construídos, pois, como disse, o leitor não se perde em momento algum. E essa estrutura dinâmica do texto é, para mim, a grande mestria do livro, uma vez que a estrutura desordenada do texto representa também o caos interior dos personagens.

Depois perguntei sobre a Estética da Recepção, se o Altair tinha pensado em um "leitor ideal" durante o processo de escrita do romance. A resposta? Sensacional: ele mesmo. hahahahahahaha O texto, em primeiro lugar, tem que agradar a ele mesmo, o escritor.

O Altair é um querido, super simpático e tem respostas formidáveis. Percebo uma simplicidade nele, e isso não inclui aquela famosa "falsa modéstia", pois sinto que ele é consciente de que é bom no que faz. E isso é o que sempre pensei: a gente pode ter orgulho do que faz [porque faz bem] e, mesmo assim, ser simples e humano. A não tem nada a ver com B, e as pessoas (geralmente) confundem isso.

Aliás, teve uma única pergunta que o Osterman fez e que eu teria feito: quando ele consegue tempo para escrever?!!!!! Ele disse que, principalmente, aos fins de semana e nas férias. Mas que a escrita acompanha ele 24 horas, durante uma aula surge uma ideia, ele pega um papelzinho e anota. Assim vai...

Eu gostaria de dizer, também, que gosto muito do que John Gardner fala em seu texto A arte da ficção, que é sobre a importância do detalhe físico, por exemplo, que cria em nós uma espécie de sonho, um rico e vívido jogo na mente:

"Lemos e sonhamos ativamente, aflitos com as decisões tomadas pelos personagens, com o ouvido atento e um pânico à espera de um som por detrás da porta fictícia, exultando com o êxito dos herois e lamentando seus malogros".


"Na grande ficção o sonho nos empolga a alma e o coração".

E é isso que eu tento dizer desde que comecei a escrever sobre o meu processo de leitura: o virar de páginas vicia porque o autor consegue criar esse "sonho na nossa mente" e a gente passa a viver junto aos personagens, passa a sofrer, ter expectativas e emoções que acompanham a leitura. Até o final. E isso acontece pelo ritmo das frases, pela dinâmica e fluidez do texto, pelos detalhes, pela riqueza lexical, pela profundidade psicológica dos personagens... por coisas inumeráveis.


Valeu!!

p.s.: quanto às críticas, não liguem muito, acho que estou ficando velha e rabugenta rsrsrsrs



Autor-Obra-Leitora



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Somewhere...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Congresso Internacional A Presença Francesa no Modernismo Brasileiro

!http://www.pucrs.br/eventos/presencafrancesa/


Inscrições até dia 29/agosto!!


P.S.: As inscrições como ouvintes, a partir de hoje (29/08), deverão ser realizadas diretamente no Setor de Atendimento da PROEX, que fica localizado na sala 201 do prédio 40 na PUCRS. Mais informações pelo fone: (51) 3320 3680.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Jacqueline Penjon

O quê? Curso sobre o fantástico na literatura contemporânea.

Quando? 01, 02, 03 e 04 de setembro.

Vale o quê? Um crédito para mestrandos e doutorandos. Atividade complementar para graduandos.

Quanto? Uma lata de leite em pó (entregar na secretaria do PPGL - 4 andar, prédio 8)

Onde? PUCRS, prédio 8, sala 305.

Ministrante: Profa. Jacqueline Penjon, da Sorbonne Nouvelle - Paris III

Preciso saber francês? Não, a professora fala português fluente.



Recado dado!


:)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Filosofia e Literatura

Divulgo mais um evento bárbaro! Uma ideia muito boa que o Pedro Mandagará teve com a minha orientadora Ana Mello. Nós tínhamos um grupo na Puc que se reunia para ler e debater filosofia. Com o tempo, ou melhor, a falta dele, o grupo de dispersou.


Eis que agora vem um super evento para estimular novas pesquisas!

Na PUCRS, prédio 8, sala 305, de graça (inscrição para quem quer certficado é um livro), com palestrantes maravilhosos. O primeiro encontro já aconteceu, ontem, segunda-feira.


Eu fui!!!


24/08 Plotino filósofo, Plotino escritor

Prof. Dr. José Carlos Baracat Júnior (Instituto de Letras/UFRGS)


Adorei!


O Baracat falou muito bem, nos deu uma lição sobre Plotino (205-270 d.C).




O que eu aprendi:


Plotino é famoso por escrever mal, julgam isso dele, mas, segundo Baracat, é porque não perceberam o quanto ele se debateu com as questões da língua.


O príncipio da realidade, princípio básico, é transcendente. E Plotino é o primeiro a postular isso. Platão lançou a hipótese, porém a desenvoltura dela foi feita por Plotino, que refletiu sobre a racionalidade e a linguagem.


Querer falar sobre esse princípio é um dilema indissolúvel, angústia da expressão, pois há um problema da linguagem em si, o transcendente não pode ser nomeado (o pronome "ele" é equivocado, pois remete a alguma coisa, e o princípio não é)


1) todas as afirmações sobre o princípio são inadequadas;

2) toda rpedicação acerca dele é para nós mesmos artifícios hermenêuticos;

3) é a negação, o que ele [que não pode ser nomeado de 'ele'] não é.


Roland Barthes, em Aula, fala sobre a opressão da linguagem. Barthes é um contemporâneo, o que prova que aquelas reflexões do século III ainda são atuais.


Renúncia à referência. Impossível definir. Todos substantivos e adjetivos são impróprios. linguagem inadequada. Uso simbólico da linguagem - UNO, termo, não é um nome. Negação da multiplicidade, proposições contraditórias.


Exemplo: Eu sou a Anna. Eu não sou a Anna. É e não é.



Na próxima, penso em levar o ópio, alguém é parceiro?? rsrsrs



Próximos encontros:


31/08 Hermenêutica e literatura

Prof. Dr. Draiton Gonzaga (Faculdade de Filosofia/PUCRS)


28/09 A razão em pane: de Hegel a Kafka

Prof. Dr. Eduardo Luft (Faculdade de Filosofia/PUCRS)


05/10 Heidegger

Prof. Dr. Ernildo Stein (Faculdade de Filosofia/PUCRS)


19/10 Bachelard

Profa. Dr. Ana Maria Lisboa de Mello (Faculdade de Letras/PUCRS)


26/10 O Iluminismo e a descoberta da natureza

Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil (Faculdade de Letras/PUCRS)


09/11 Adorno

Prof. Dr. Ricardo Timm de Souza (Faculdade de Filosofia/PUCRS)


16/11 Jacques Derrida, desconstrução e literatura

Prof. Dr. Sérgio Bellei (Faculdade de Letras/PUCRS)


23/11 Jacques Derrida, literatura e filosofia

Prof. Dr. Nythamar H. F. de Oliveira Júnior (Faculdade de Filosofia/PUCRS)

Altair Martins, mais uma vez...

http://www.studioclio.com.br/atividadesDetalhes.php?id=1160


Vamos lá prestigiar esse nosso grande autor!! É quinta-feira agora!!

A Josy* e eu já somos presenças confirmadas! E já estamos preparando todas as perguntas que faremos para o queridíssimo, agora é a hora de tirar todas as dúvidas e de declarar em público como foi boa essa experiência de leitura!!!!

Não sou muito fã do Ostermann, mas... se o assunto é A parede no escuro, TÔ DENTRO!!! I'M IN!!

Studio Clio, quinta-feira, dia 27, evento gratuito, fichas a partir das 18:30...

Agora vão me desculpar... porque euzinha não precisarei pegar ficha hihihihihihi nem a Josica... quanta honra! Somos convidadas do autor... que querido! que querido! (em dobro)

Arte barata





Gente,

isso sim é que é arte barata!!

Dez reais pra estudante!! Vale a pena!

Eu fui no domingo passado, assisti e comprovei!! Ri muito também!
E, por incrível que pareça, encontrei um homem que ri mais alto que eu (sim, isso é possível!! Há testemunhas disso!!)! A Ju chegou a comentar que deveria ser minha alma gêmea e que eu não poderia deixar passar! hahahahahahahaha ;)

Bom, como agora tô que nem os famosos globais, adotei o discurso deles: "não falo sobre minha vida pessoal, desculpa"... isso não é assunto pro blog hahahahahaha ;)

O texto O Avarento é do Molière, e a peça é de primeiríssima! O figurino é espetacular! Depois do espetáculo nós fomos no camarin, tirei fotos da Ju com todos eles... tudo muito lindo, vestidos de época, maquiagem perfeita...

ADOREI!

E será uma trilogia, teremos mais dois espetáculos: Tartufo e As Preciosas Ridículas.

E o melhor de tudo, é que é aqui do lado de casa ;)
No teatro da República...

Quer mais moleza??

domingo, 23 de agosto de 2009

La estación, Sergio Kokis (parte III)

Não poderia deixar de postar o tipo de cena que eu mais gosto na literatura...
quando bem escrita e sugestiva...
rsrsrsrs

"Adrian no dijo nada y se dejó llevar al cuarto de María. El cuerpo de la joven pegado al suyo estaba caliente, sus senos suaves tenían el olor de las hierbas de la estepa que perfumaban el aguadiente. Le mordió los labios mientras él buscaba desabrocharle el vestido. Era una hembra selvage y ávida, de olores fuertes, como nunca había conocido en su vida. Adrian se dejó llevar por su abrazo animal hecho de carnes jóvenes y opulentas, de humedad excesiva, de rasguños y gemidos. Tenía la impresíon de que su propio cuerpo perdía su unidad al fundirse con el de María, en una abundancia de sensaciones embriagantes y aderezadas de agresividad como en un verdadero combate. Ella lo atraía y lo empujaba a la vez, dirigiendo su deseo y buscando también frotarse contra él para obligarlo a que abriera sus piernas a la fureza para poseerla con rudeza.

Gozaron así, más y más, insaciables y sin reservas, explorándose mutualmente con voracidad para posserse mejor. Y ese frenesí casi diabólico duró una buena parte de la noche. Después, agotados, uno al lado del otro en la estrecha cama, entregados a su soledad, se abrazaron como náufragos para tratar de no hundirse.

[...]

El recuerdo de su esposa y de sus insípidas relaciones estaba ahí, como un reproche, para tratar de arruinar el placer que acababa de sentir". (KOKIS, p.106-107)

La estación, Sergio Kokis (parte II)

[...] "No me rebase, no sabré a dónde seguirlo. No me siga, no sabré guiarlo. Mejor caminemos lado a lado y tal vez llegaremos a algún sitio". Notable, no le parece?

- Sí, es muy bello - respondió Adrian con aire pensativo-. En efecto es bello cuando tenemos un compañero o una compañera para emprender un camino. Sin embargo, cómo aplicar ese dicho cuando se está solo?

- Uno nunca está solo, joven. O más bien sí, cuando uno no se ha conocido nunca, cuando no se ha encontrado. Y entonces, razón de más para vagabundear en busca de su propio camino. De ese modo, siempre estamos en campañía de nosotros mismos, de nuestros propios demonios, lo cual no siempre es una mala relación. Es entonces cuando el dicho se aplica con toda su sabiduría, me parece. Y también con toda su belleza. (KOKIS, p.188)


Puxa, estou em boa companhia ultimamente.
Livro E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R!
Muito sugestivo, muita sabedoria, muito humano.

Recomendo!

Foi bom, também, a experiência de ler um romance em espanhol (mesmo que seja tradução, e não o original). Fluiu e eu gostei.

O próximo será em francês... quero só ver! rsrs

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

La estación, Sergio Kokis (parte I)

Inevitavelmente, quando fica um vazio de algo que acabou, só nos resta preenchê-lo com algo novo!!

Esta é a lei dos que sobrevivem...

E eu estou tratando de preencher o meu vazio. Ok, em menos de uma semana, eu sei... tsc tsc... essa é a tal promiscuidade literária rsrs ;)

Terminado o romance do Altair, sigo, agora, com o romance do Sergio Kokis: La estación. Está em espanhol porque ele escreve em Francês e a única tradução em português que temos é a do seu primeiro romance, de 1994, Le pavillon des miroirs.

Sergio Kokis ainda é vivo e mora no Québec. Amei o primeiro livro que eu li, em português, e começo o segundo. Será mais difícil, claro, depois do romance do Altair... que ainda borboleteia pela minha cabeça...

Mas já gostei da ideia inicial do autor brasileiro radicado no Canadá (estou na página 56):

La estación desierta provocó en Adrian primero una sensación de estupor. Se sintió hundido en plena pesadilla, sin realmente saber dónde estaba, ni lo que había sucedido. Con la ausencia del tren, el ambiente parecía aún más desolador y la soledad que reinaba en la estepa lo golpeó de frente. Le tomó unos instantes aceptar que el tren se había ido realmente dejándolo atrás. Había partido con su familia, sus maletas y los demás viajeros, mientras él se quedaba ahí plantado, con aire sorprendido y profundamente ridículo. En seguida, una sensación de pánico se apoderó de él y se puso a correr por el andén y a lo largo de las vías con la esperanza absurda de poder, si no alcanzarlo, al menos verlo desaparecer en el horizonte (KOKIS, Sergio. La estación. Trad. Julie Zamorano. Espanha: Montesinos, 2005, p.25).


Diferente do primeiro romance de Kokis, La estación é narrado em terceira pessoa, o personagem principal tem nome, é Adrian, ele é casado e tem um filho. Adrian está voltando de uma viagem com a familía, num trem, e ao parar numa estação muito estranha, ele desce do trem para "comprar cigarros"... curioso pelo lugar e pela estranheza desse lugar e do homem - "Jefe" da estação - ele acaba perdendo o trem, que parte e deixa-o ali, perdido naquele espaço sinistro...

Me parece interessante, pois já tenho a sensação de que há muitas coisas a serem descobertas... muitos símbolos e ações do inconsciente. Tudo indica que é um romance de introspecção e que vou mergulhar muito na consciência desse personagem!!!!

:)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A parede no escuro, Altair Martins (parte IV)

Acabou.
Digo, acabei.

E agora? O que eu faço com esse vazio imenso que ficou?
Quero mais páginas de Emanuel, de Coivara e de Maria do Céu!!!
Quero de volta os narradores que fizeram parte de mim durante essas últimas semanas!!!

;)

Nessa semana, a Fernanda me escreveu e eu fiquei muito feliz. Principalmente, por ela dizer que ficou com vontade de ler o romance do Altair:

Hoje acordei mais cedo e fiquei navegando na internet, entrei em sites, e-mail, orkut... Vi a sua foto: resolvi bisbilhotar o seu perfil e vi no seu status que vc tem um blog (q vergonha, ainda não havia reparado)!!! Acessei e simplesmente adorei!!! A maneira que vc escreve é maravilhosa, é cativante. A sua escrita transmite a maneira que vc é, simples e simpática e ao mesmo tempo grandiosa. Adorei a "Cantada de quinta" e os seus comentários sobre o livro do Altair - deu vontade de ler! - sem falar na resposta dele (nossa, q orgulho dessa minha amiga!!!). Bom, era isso, apenas um elogio!! Saudades!!! Te adoro!!

Que bom isso!
:)

Saudades da Fê!!!



Anna, Bianca, Ludmila, Dani e Fê:
especialistas em literatura brasileira (2007)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Resiliência

Resiliência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material - como um elástico ou uma vara de salto em altura, que se verga até um certo limite sem se quebrar e depois retorna com força, lançando o atleta para o alto.

É medida em percentual da energia devolvida após a deformação. Onde 0% indica que o material sofre deformações exclusivamente plásticas (plasticidade) e 100% exclusivamente elásticas (elasticidade) .

Em Ecologia, resiliência, é a capacidade de um determinado ambiente de retornar ou retomar sua forma original ou originária após uma perturbação.

No meio corporativo, o termo "Resiliência" significa a capacidade de uma empresa ou corporação de se adaptar às mudanças no ambiente em que estão inseridas, ou seja, como elas conseguem reformular os seus processos de negócio para atender a novas exigências do mercado.

O cientista inglês Thomas Young foi um dos primeiros a usar o termo. Tudo aconteceu quando estudava a relação entre a tensão e a deformação de barras metálicas, em 1807. Resiliência para a física é, portanto, a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido tensão.

A resiliência dos materiais como o aço é fator determinante na escolha da maioria dos Engenheiros em todo Mundo, quando trata-se de estruturas gigantescas como Empire State Building, Golden Gate Bridge e outras inúmeras estruturas ao redor do mundo.

Outra definição para resiliência: Os resilientes são aqueles que são capazes de vencer as dificuldades, os obstáculos, por mais fortes e traumáticos que elas sejam. Pode ser desde um desemprego inesperado, a morte de um parente querido, a separação dos pais, a repetência na escola ou uma catástrofe como um tsunami.

A psicologia tomou essa imagem emprestada da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, etc. - sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003) que estudou a resiliência em organizações argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto de tomada de decisão entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer.

Tais conquistas, face essas decisões, propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano, condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.


Já o pesquisador George Souza Barbosa entende a resiliência como um amálgama de sete fatores: Administração das Emoções, Controle dos Impulsos, Empatia, Otimismo, Análise Causal, Auto Eficácia e Alcance de Pessoas (Barbosa, 2006).

* Refere-se em relação ao fator Administração das Emoções à habilidade de se manter sereno diante de uma situação de estresse. Ressalta que pessoas resilientes quanto a esse fator são capazes de utilizar as pistas que lêem nas outras pessoas para reorientar o comportamento, promovendo a auto regulação. Segundo esse autor, quando esta habilidade é rudimentar as pessoas encontram dificuldades em cultivar vínculos, e, com freqüência desgastam no âmbito emocional aqueles que quem convivem em família ou no trabalho.

* Um segundo fator é o Controle de Impulsos, que se refere à capacidade de regular a intensidade de seus impulsos no sistema muscular (nervos e músculos). É a aprendizagem de não se levar impulsivamente para a experiência de uma emoção. O autor explicita que as pessoas podem exercem um controle frouxo ou rígido do seu sistema muscular, sendo que esses sistemas estão vinculados à regulação da intensidade das emoções. Dessa forma, a pessoa poderá viver uma emoção de forma exacerbada ou inibida. O Controle de Impulso garante a auto-regulação dessas emoções, ou a possibilidade de dar a devida força à vivência de emoções.

* Um terceiro fator é Otimismo. Nesse fator ocorre na resiliência a crença de que as coisas podem mudar para melhor. Há um investimento contínuo de esperança e, por isso mesmo, a convicção da capacidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão esteja fora das mãos.

* Um outro fator é a Análise do Ambiente. Barbosa menciona que se trata da capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das adversidades presente no ambiente. Essa possibilidade habilita a pessoa a se colocar em um lugar mais seguro, ao invés de se posicionar em situação de risco.

* A Empatia é o quinto fator que constitui a Resiliência, significando a capacidade que o ser humano tem de compreender os estados psicológicos dos outros (emoções e sentimentos). Barbosa descreve que é uma capacidade de decodificar a comunicação não verbal e organizar atitudes a partir desta leitura.

* Auto Eficácia, é o sexto fator que se refere à convicção de ser eficaz nas ações proposta. Barbosa argumenta que é a crença que alguém tem de que resolverá seus próprios problemas por meio dos recursos que encontra em si mesmo e no ambiente.

* O sétimo e último fator constituinte da Resiliência é Alcançar Pessoas. É a capacidade que a pessoa tem de se vincular a outras pessoas, sem receios e medo do fracasso. Barbosa reforça que é a capacidade de se conectar a outras pessoas com a finalidade de viabilizar a formação de fortes redes de apoio.

Fonte: Wikipédia.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

50 anos do Rei, parte II

Uma revelação: sempre gostei da Sandy. Afinal, temos a mesma idade e muito cantei [na infância e pré-adolescência] as músicas dela e do Jr.

Nesse vídeo [Especial elas cantam RC] ela está linda. Num modelito lindo. Com uma voz linda. A canção é linda também.

Linda, lindo, linda, linda. Fico assim, sem saber articular, de tão... lindo!



Presente da Josy*



Sábado a Josy* me trouxe uma torta de beringela!

Domingo, ao meio dia (tá, não era bem ao meio dia, pois nós acordamos ao meio dia e tomamos café no Armazém da Esquina. Enfim, lá pelas 15h...), eu comi.

Hmmmmmmmmmmmmmm

M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!!!!

Em breve, regastarei essa receita pro blog!

;)

domingo, 16 de agosto de 2009

Em tempos de gripe suína...

Em tempos de gripe suína, a dica sobre o futuro mudou: deixou de ser "usem o filtro solar", do Bial, e passou a ser "não esqueça o álcool gel".

Sem contar que os efeitos podem ser surpreendentes... rs

Campanha do agasalho


(Made by Anninha, feita a mão! Mas essa já tem dono...)

"Os amigos de verdade, aqueles que nos buscam na hora do frio e da derrota, os que se parecem com cachecóis", Altair Martins.


Artemanhas do tricô:

um fio de lã que se cruza noutro,
e cresce,
e toma a forma que a gente quer.

Um blusão, uma manta, um cobertor.

Um fio apenas não aquece. Fio sem sentido.
Fio somente, frio.

Vidas entrecruzadas como lãs dum tricô.
Uma vez enosados, difícil desatar.
As vezes, quando a lã enosa,
só a tesoura pra cortar.

Coisas do tricô.

Tricotando um pouquinho a cada dia,
o resultado pode ser surpreendente:

pode ser um lindo cachecol que te acompanhará nos dias mais frios.

Pode ser um lindo cachecol que te acompanhará nos dias mais frios.

(Em dobro, como deve ser)

sábado, 15 de agosto de 2009

50 anos do Rei




Se você pensa

(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)


Se você pensa que vai fazer de mim
O que faz com todo mundo que te ama
Acho bom saber que pra ficar comigo vai ter que mudar

Você tem a vida inteira pra viver
E saber o que é bom e o que é ruim
Acho bom pensar depressa e escolher antes do fim

Daqui pra frente, tudo vai ser diferente
Você tem que aprender a ser gente
O teu orgulho não vale nada

Você não sabe
Nem nunca procurou saber
Que quando a gente ama pra valer
O bom é ser feliz e mais nada



p.s.: Amo essa música. A primeira vez que eu a ouvi foi na voz de Frank Jorge, numa Feira do Livro de Porto Alegre. Ele cantava muito empolgado e a platéia toda vibrava, pois é uma música com um ritmo ótimo. Lembro que comentei com a Josy* que queria descobrir que música era, pois queria entrar na formatura com ela. Principalmente, pela ideia de que "daqui pra frente tudo vai ser diferente", depois de formada, tudo mudaria. Pra melhor. Sempre. Acho que pelo ritmo, nunca me chamou a atenção a parte dura da música, pois dessa parte é feito graça.


E é assim que, na minha opinião, a vida deve ser. Humor sempre. Humor sara. Humor quebra-gelo. Humor alivia qualquer situação embaraçosa. Rir de si mesma. Achar graça das coisas mais improváveis. O humor deixa as pessoas leves.

Ontem, enquanto eu dava aula pra Luiza, uma aluna que gosto muito, ela desabafava coisas comigo e eu percebia que o meu melhor conselho era esse: encarar as situações da vida com humor. Tirar sarro. Fazer graça. Principalmente quando adolescente. Essa atitude desbanca o outro. Deixa as pessoas sem reação. Sem armas pra te atingir.


Antes de dar a chance de alguém rir de você, faça isso primeiro!! Ria você primeiro!! E isso, quem me disse pela primeira vez, foi a Ju Minho!! Olha, eu aprendi! ;)


Claro, sabendo levar as coisas a sério também. Afinal, ninguém precisa fazer o papel de bobo da corte.


Uma coisa não tem nada a ver com a outra.